Me fascinou ir outro dia na Ópera de Leipzig outro dia para ver a Flauta Mágica de Mozart, que sempre tive vontade de assistir para ver é claro a Ária da Rainha da Noite e as palhaçadas do papageno - Mas ao parar para ler mais sobre o roteiro da peça (no wikipedia, como sempre), descobri que Mozart além de ser integrante da maçonaria, tinha feito esta obra inspirado nessa ordem, assim como no Iluminismo.
A Ópera conta a história de um jovem príncipe que parte para salvar a filha da Rainha da Noite, das garras do terrível Sarastro. O espectador observa no decorrer da trama no entanto, que os papéis estão trocados: A Rainha na verdade representa o Obscurantismo, filosofia na qual as massas precisam ser mantidas na ignorância para a obtenção de uma sociedade equilibrada. Enquanto Sarastro conduz o herói para uma vida guiada pela razão e liberdade de pensamento.
Enquanto encenações desta Ópera constumam manter essa alegoria subjetiva, buscando ao máximo a proximidade do que se montou na estréia em Viena no século XVIII, na Alemanha como sempre a turma quer inovar. No começo achava um absurdo, eu que nunca tinha visto Turandot naquele cenário de filme egípcio de Cecil B. DeMille, ver uma montagem moderna, deixando para todos bem claro, o que o autor da obra queria dizer com aquilo.
Com a Flauta Mágica não foi diferente - Sarastro era um Grão-Mestre de Maçonaria, e seu templo um observatório astronômico, repleto de compassos, e outros instrumentos da engenharia. Como meu colega Eudes andou encenando essa Ópera em Pernambuco este ano, pensei: Seria possível adaptar a cenografia à estética do folclore ou arquétipos do povo nordestino?
A resposta que me veio foi um sonoro não. Apesar de muitas figuras encaixarem-se perfeitamente, como um Mateus e Catirina para Papageno e Papagena, um príncipe e uma princesa também não seriam tão complicados, e certamente a figura da Rainha da Noite apareceria como aquela viúva beata reacionária, não existiria nada para Sarastro e sua trupe, já que os nordestinos nunca foram "Iluminados" - na verdade nenhum brasileiro, ou qualquer outro do vasto terceiro mundo.
Vivemos todos uma longa e sombria idade média desde o nosso descobrimento.
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