Há 500 anos atrás, era difícil imaginar, pelas suas condições atuais, que a Europa um dia se tornaria o centro do mundo, com a capacidade técnica, militar e econômica de subjugar a todos. Nessa época os impérios Chinês, Muscovita, Otomano e Mogul partilhavam a maior parte das riquezas do mundo, assim como as rotas de comércio, o que como todos sabem estimulou a busca de caminhos alternativos para as Índias.
Assim verdadeiros antros de atraso como a Inglaterra, EUA, Alemanha e Suécia, logo puderam dar seus passos e hoje se colocam em uma posição de superioridade tão enraizada em suas sociedades, que sua compreensão acerca do seu sucesso só pode ser explicada através de superioridade moral ou até mesmo genética.
Mas poderia acontecer isso novamente? Poderia o primeiro homem em outro sistema solar ser do Quênia, ou um Renascimento Árabe baseado em uma interpretação humanista do Alcorão dar origem a novas filosofias de vida que gerem um maior bem-estar à sociedade?
Para sermos mais realistas frente às infinitas possibilidades é preciso entender como gira a roda da história. Um ciclo bastante comum é aquele onde a sociedade dominante sucumbe por ser incapaz de se adaptar às mudanças ocorrendo em determinado momento histórico. Não que isto seja impossível, mas toda sociedade dominante é quase por definição, conservadora. Afinal, por que mexer em time que está ganhando? As regras do jogo na história, no entanto, mudam.
Esses momentos históricos de grande mudança que provocam alterações de dominância podem ser previstos ficando de olho nas novas gerações. O que está ocorrendo no mundo hoje em relação à sociedade jovem é algo bastante curioso e surpreendente: Em seu maior momento de influência cultural, os EUA estão na verdade perdendo influência econômica. Apesar de hoje a maior parte dos jovens do mundo falar inglês e poderem discutir facilmente entre continentes sobre os últimos episódios de The Big Bang Theory ou Game of Thrones - rejeitam a guerra ao terror e compram cada vez menos produtos norte-americanos. Essa relação de admiração e ódio só pode ser o que sentiam os súditos do império romano durante sua decadência.
Nada disso é novidade nos ciclos políticos, mas a onda que cresce no horizonte é algo muito mais apavorante do que o surgimento de um mundo multipolar: É um mundo cujo clima será profundamente afetado pelo efeito estufa antropogênico, assim como suas fronteiras as imigrações em massa colocarão especialmente os países do status quo em grande estresse. Ainda não aprendemos a tratar um ao outro como os iguais que somos, e logo surgirá uma entidade diferente, na forma da inteligência artificial igual ou até mesmo superior a nós em capacidade cognitiva - com a qual precisaremos fazer a escolha difícil de nos integrar ou não. Ou quem sabe uma Nações Unidas provida de maiores poderes políticos, em um mundo com plena globalização do mercado de trabalho e da economia. Quais seriam as consequênciasdisto?
No fim, surgirão novas estruturas sociais, políticas e econômicas para manejar a sociedade, e as culturas humanas (se no final dessas mudanças tal conceito ainda existir) que encontrarem as soluções corretas serão aquelas admiradas.
Em suma, estamos na beira da queda da Bastilha, mas, maravilhados com Versailles, ainda queremos a monarquia absolutista.
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