Há 500 anos atrás, era difícil imaginar, pelas suas condições atuais, que a Europa um dia se tornaria o centro do mundo, com a capacidade técnica, militar e econômica de subjugar a todos. Nessa época os impérios Chinês, Muscovita, Otomano e Mogul partilhavam a maior parte das riquezas do mundo, assim como as rotas de comércio, o que como todos sabem estimulou a busca de caminhos alternativos para as Índias.
Assim verdadeiros antros de atraso como a Inglaterra, EUA, Alemanha e Suécia, logo puderam dar seus passos e hoje se colocam em uma posição de superioridade tão enraizada em suas sociedades, que sua compreensão acerca do seu sucesso só pode ser explicada através de superioridade moral ou até mesmo genética.
Mas poderia acontecer isso novamente? Poderia o primeiro homem em outro sistema solar ser do Quênia, ou um Renascimento Árabe baseado em uma interpretação humanista do Alcorão dar origem a novas filosofias de vida que gerem um maior bem-estar à sociedade?
Para sermos mais realistas frente às infinitas possibilidades é preciso entender como gira a roda da história. Um ciclo bastante comum é aquele onde a sociedade dominante sucumbe por ser incapaz de se adaptar às mudanças ocorrendo em determinado momento histórico. Não que isto seja impossível, mas toda sociedade dominante é quase por definição, conservadora. Afinal, por que mexer em time que está ganhando? As regras do jogo na história, no entanto, mudam.
Esses momentos históricos de grande mudança que provocam alterações de dominância podem ser previstos ficando de olho nas novas gerações. O que está ocorrendo no mundo hoje em relação à sociedade jovem é algo bastante curioso e surpreendente: Em seu maior momento de influência cultural, os EUA estão na verdade perdendo influência econômica. Apesar de hoje a maior parte dos jovens do mundo falar inglês e poderem discutir facilmente entre continentes sobre os últimos episódios de The Big Bang Theory ou Game of Thrones - rejeitam a guerra ao terror e compram cada vez menos produtos norte-americanos. Essa relação de admiração e ódio só pode ser o que sentiam os súditos do império romano durante sua decadência.
Nada disso é novidade nos ciclos políticos, mas a onda que cresce no horizonte é algo muito mais apavorante do que o surgimento de um mundo multipolar: É um mundo cujo clima será profundamente afetado pelo efeito estufa antropogênico, assim como suas fronteiras as imigrações em massa colocarão especialmente os países do status quo em grande estresse. Ainda não aprendemos a tratar um ao outro como os iguais que somos, e logo surgirá uma entidade diferente, na forma da inteligência artificial igual ou até mesmo superior a nós em capacidade cognitiva - com a qual precisaremos fazer a escolha difícil de nos integrar ou não. Ou quem sabe uma Nações Unidas provida de maiores poderes políticos, em um mundo com plena globalização do mercado de trabalho e da economia. Quais seriam as consequênciasdisto?
No fim, surgirão novas estruturas sociais, políticas e econômicas para manejar a sociedade, e as culturas humanas (se no final dessas mudanças tal conceito ainda existir) que encontrarem as soluções corretas serão aquelas admiradas.
Em suma, estamos na beira da queda da Bastilha, mas, maravilhados com Versailles, ainda queremos a monarquia absolutista.
domingo, 22 de dezembro de 2013
O Pífano Mágico
Me fascinou ir outro dia na Ópera de Leipzig outro dia para ver a Flauta Mágica de Mozart, que sempre tive vontade de assistir para ver é claro a Ária da Rainha da Noite e as palhaçadas do papageno - Mas ao parar para ler mais sobre o roteiro da peça (no wikipedia, como sempre), descobri que Mozart além de ser integrante da maçonaria, tinha feito esta obra inspirado nessa ordem, assim como no Iluminismo.
A Ópera conta a história de um jovem príncipe que parte para salvar a filha da Rainha da Noite, das garras do terrível Sarastro. O espectador observa no decorrer da trama no entanto, que os papéis estão trocados: A Rainha na verdade representa o Obscurantismo, filosofia na qual as massas precisam ser mantidas na ignorância para a obtenção de uma sociedade equilibrada. Enquanto Sarastro conduz o herói para uma vida guiada pela razão e liberdade de pensamento.
Enquanto encenações desta Ópera constumam manter essa alegoria subjetiva, buscando ao máximo a proximidade do que se montou na estréia em Viena no século XVIII, na Alemanha como sempre a turma quer inovar. No começo achava um absurdo, eu que nunca tinha visto Turandot naquele cenário de filme egípcio de Cecil B. DeMille, ver uma montagem moderna, deixando para todos bem claro, o que o autor da obra queria dizer com aquilo.
Com a Flauta Mágica não foi diferente - Sarastro era um Grão-Mestre de Maçonaria, e seu templo um observatório astronômico, repleto de compassos, e outros instrumentos da engenharia. Como meu colega Eudes andou encenando essa Ópera em Pernambuco este ano, pensei: Seria possível adaptar a cenografia à estética do folclore ou arquétipos do povo nordestino?
A resposta que me veio foi um sonoro não. Apesar de muitas figuras encaixarem-se perfeitamente, como um Mateus e Catirina para Papageno e Papagena, um príncipe e uma princesa também não seriam tão complicados, e certamente a figura da Rainha da Noite apareceria como aquela viúva beata reacionária, não existiria nada para Sarastro e sua trupe, já que os nordestinos nunca foram "Iluminados" - na verdade nenhum brasileiro, ou qualquer outro do vasto terceiro mundo.
Vivemos todos uma longa e sombria idade média desde o nosso descobrimento.
A Ópera conta a história de um jovem príncipe que parte para salvar a filha da Rainha da Noite, das garras do terrível Sarastro. O espectador observa no decorrer da trama no entanto, que os papéis estão trocados: A Rainha na verdade representa o Obscurantismo, filosofia na qual as massas precisam ser mantidas na ignorância para a obtenção de uma sociedade equilibrada. Enquanto Sarastro conduz o herói para uma vida guiada pela razão e liberdade de pensamento.
Enquanto encenações desta Ópera constumam manter essa alegoria subjetiva, buscando ao máximo a proximidade do que se montou na estréia em Viena no século XVIII, na Alemanha como sempre a turma quer inovar. No começo achava um absurdo, eu que nunca tinha visto Turandot naquele cenário de filme egípcio de Cecil B. DeMille, ver uma montagem moderna, deixando para todos bem claro, o que o autor da obra queria dizer com aquilo.
Com a Flauta Mágica não foi diferente - Sarastro era um Grão-Mestre de Maçonaria, e seu templo um observatório astronômico, repleto de compassos, e outros instrumentos da engenharia. Como meu colega Eudes andou encenando essa Ópera em Pernambuco este ano, pensei: Seria possível adaptar a cenografia à estética do folclore ou arquétipos do povo nordestino?
A resposta que me veio foi um sonoro não. Apesar de muitas figuras encaixarem-se perfeitamente, como um Mateus e Catirina para Papageno e Papagena, um príncipe e uma princesa também não seriam tão complicados, e certamente a figura da Rainha da Noite apareceria como aquela viúva beata reacionária, não existiria nada para Sarastro e sua trupe, já que os nordestinos nunca foram "Iluminados" - na verdade nenhum brasileiro, ou qualquer outro do vasto terceiro mundo.
Vivemos todos uma longa e sombria idade média desde o nosso descobrimento.
domingo, 14 de julho de 2013
A vida nos climas temperados e o Mito da necessidade da adversidade para o progresso humano.
" Você sabia que a primeira Matrix foi projetada para ser o mundo humano perfeito? Onde ninguém sofria, onde todos seriam felizes. Foi um desastre. Nenhum aceitou o programa. Colheitas inteiras foram perdidas. Alguns acreditavam que nos faltava a linguagem de programação para descrever seu mundo perfeito. Mas eu acredito que, como espécie, os seres humanos definem sua relidade em termos de miséria e sofrimento. O mundo perfeito era um sonho do qual seus cérebros primitivos acordavam constantemente. É por isso que a Matrix foi redesenhada para isto: o auge de sua Civilização" - Agente Smith, A Matix
Encontrando o tal mundo ideal, não quiseram nem conseguiram os Eurásios estabelecerem colônias que replicavam o desenvolvimento humano no segundo mais velho continente. Como disse o Agente Smith nesta fantástica trilogia de Ficção Científica, os seres humanos parecem necessitar de dificuldades, desafios, situações climáticas adversas para prosperarem, se sentirem satisfeitos, e organizarem uma socidade que seja tanto capaz de se defender quanto cuidar de cada um de seus integrantes. Engraçado por isso como todas as principais religiões retirem o sofrimento dos "mundos ideais" prometidos após a morte aos seus bons fiéis.
Do ponto de vista comportamental e biológico, parece ser realmente o caso, que animais sociais e caçadores buscam atividades secundárias como brincadeiras tanto para o aprendizado das técnicas reais de sobrevivência, quanto por uma necessidade de alimentar a mente com problemas criados artificialmente. É certamente o caso de humanos, que para "passar o tempo" possuem uma necessidade quase fisiológica de quebra-cabeças dos mais simples, como caça-palavras, aos mais sofisticados como Starcraft e Call of Duty. Talvez o próprio desenvolvimento e popularidade dos mais diversos Esportes também têm como origem esse princípio, a profunda necessidade dos humanos de se provar, tanto a si mesmos quanto aos outros, e um prazer pela vida em hierarquia (que pode até explicar a falha implícita dos modelos mais extremos de comunismo).
Assim, para que viveria eu no dito paraíso religioso a eternidade, sem o fracasso, a tristeza, a dor - onde provavelmente a alegria iria definhando ao ponto de se tornar um prazer sem sal, uma vida morna e todos entrariam em um estado de apatia permanente. Por isso todo Paraíso acaba por se igualar ao fim a um Purgatório ao qual os bons, os maus e os feios estariam todos juntos. Neste aspecto a dor se apresenta como um sentimento muito mais autêntico - afinal, movimentos involuntários de fuga são sempre disparados por ameaças como fogo. Nunca vi uma mão se movendo sozinha pra pegar um sorvete, por exemplo. Por isso um amigo meu dizia "que mané tocar harpinha no céu, o negócio é ir pro inferno, tocar guitarra com o Diabo".
Afinal, o Homem encontrou o Éden e dele fez um lugar pior do que de onde veio. No início, no entanto, grandes Civilizações eram previstas tendo apenas como determinantes a presença de água e fertilidade do solo - a disputa por esses recursos por causa da agricultura ditava que estes locais seriam posse da sociedade mais forte da região. Hoje no entanto graças ao transporte não vemos mais grandes civilizações florescerem em regiões com grande abundância de recursos naturais, já que outras conseguem se manter pela venda de espelhos. Mas voltando ao Mediterrâneo e ao Crescente Fértil, vemos que quase todos os elementos tropicais se mostravam presentes, e nestes locais se encontrava o chamado mundo civilizado da época - ao Norte dos Alpes no entanto, vivia um mundo bárbaro, que muitos da época explicavam justo pela existência de um período de frio intenso e congelamento - condições nas quais um mundo civilizado não poderia esperar prosperar.
Essa inversão de valores se deu logo após a Reforma Protestante e o Renascimento, a quebra final com a última e maior das civilizações mediterrânicas, onde se deu o início da busca da identidade daquele povo chamado de bárbaros por milênios, e que mesmo hoje, rindo dos palhaços no senado de Roma, da bancarrota de Atenas, e dos cacos do Egito, ainda de vez em quando precisa provar por que são melhores e se sentem sofisticados tomando vinho. No entanto, não precisam - estarão para a eternidade nos anais da história humana, com gigantescos feitos no ramo das idéias. Mas suas culturas não se prestam fácil ao mundo tropical.
O que em nós seres tropicais, está incutido destas culturas e que não nos presta para o nosso desenvolvimento? A idéia que a sobrevivência do homem está totalmente subordinada ao acúmulo de riquezas intermediárias - ou seja, o homem tropical vive facilmente do seu ambiente. Está convencido no entanto que precisa trabalhar para se alimentar. É claro que esta afirmação é um exagero, já que a especialização do trabalho existe e é desejada - mas não é possível comparar a facilidade de sobrevivência dos trópicos em comparação a regiões que congelam por meses.
A vida humana nos trópicos é uma quebra de paradoxo portanto, a desmistificação do trabalho como necessário e única realização, para um papel secundário, e este preenchido pela adversidade artificial, tão bem desenvolvido pelas sociedades Norte-Alpinas para superar o tédio do bem-estar social. A vida nos trópicos é uma volta ao Mediterrâneo, ao Oceano Índico, à África.
As adversidades são fundamentais para o desenvolvimento humano. Elas não precisam, no entanto, serem climáticas. Podem ser reais, como o subdesenvolvimento imposto, ou artificiais, como a própria Matrix.
Essa inversão de valores se deu logo após a Reforma Protestante e o Renascimento, a quebra final com a última e maior das civilizações mediterrânicas, onde se deu o início da busca da identidade daquele povo chamado de bárbaros por milênios, e que mesmo hoje, rindo dos palhaços no senado de Roma, da bancarrota de Atenas, e dos cacos do Egito, ainda de vez em quando precisa provar por que são melhores e se sentem sofisticados tomando vinho. No entanto, não precisam - estarão para a eternidade nos anais da história humana, com gigantescos feitos no ramo das idéias. Mas suas culturas não se prestam fácil ao mundo tropical.
O que em nós seres tropicais, está incutido destas culturas e que não nos presta para o nosso desenvolvimento? A idéia que a sobrevivência do homem está totalmente subordinada ao acúmulo de riquezas intermediárias - ou seja, o homem tropical vive facilmente do seu ambiente. Está convencido no entanto que precisa trabalhar para se alimentar. É claro que esta afirmação é um exagero, já que a especialização do trabalho existe e é desejada - mas não é possível comparar a facilidade de sobrevivência dos trópicos em comparação a regiões que congelam por meses.
A vida humana nos trópicos é uma quebra de paradoxo portanto, a desmistificação do trabalho como necessário e única realização, para um papel secundário, e este preenchido pela adversidade artificial, tão bem desenvolvido pelas sociedades Norte-Alpinas para superar o tédio do bem-estar social. A vida nos trópicos é uma volta ao Mediterrâneo, ao Oceano Índico, à África.
As adversidades são fundamentais para o desenvolvimento humano. Elas não precisam, no entanto, serem climáticas. Podem ser reais, como o subdesenvolvimento imposto, ou artificiais, como a própria Matrix.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Encontrando o Éden da Terra
Caros leitores,
Por uma falta de uma coerência entre o atendimento de suas necessidades e suas ações, a humanidade da qual faço parte me levou a escrever este blog, com o objetivo de deixar registrada a minha opinião sobre os recentes acontecimentos na atuação do homem no nosso meio tropical. Por vários motivos esta região já foi descrita pela própria intuição humana, em uma época quando o ser histórico ocidental não tinha meios para alcançar esta área do globo. Isso porque eu não acredito que nem os Maias nem os Egípcios eram E.T.s, sinto muito desapontá-los!
É fácil observar porque um homem da região temperada tem tanta admiração pela terra da primavera eterna. As estações secas, geladas ou quentes demais podem facilmente levar a morte. De certa forma, é o frio que mais representa perigos para nossa sobrevivência, seguido pela seca. É uma situação inóspita para a vida em geral, e especialmente para plantas, das quais tanto dependemos.
Ao chegar a primavera e o sol, a cultura de um local com clima sazonal fica em êxtase pela abundância de vida, e é o momento de celebrações. Ao chegar o inverno e a escuridão, o medo e a tristeza vem à tona, assim como a morte, de verdade em não raras vezes. Por isso, a idéia da morada dos deuses, aqueles que podem controlar este clima, é sempre concebida com exuberância e abundância de alimentos, o paraíso, onde o sol nunca se punha, e todos eram felizes. O ser humano que habitava estes locais sempre desejava conhecer este local, nem que apenas no momento de sua morte, após uma vida correta e justa.
Os gregos tinham uma noção bem precisa de como seria este local. Da visão do mundo que eles tinham à época de Péricles (495 - 429 a.C.):
"A parte setentrional da Terra era supostamente habitada por uma raça feliz, chamada de hiperbóreos, que desfrutava de uma primavera eterna e uma felicidade perene, por trás das gigantescas montanhas, cujas cavernas lançavam as cortantes lufadas do vento norte, que faziam tremer de frio os habitantes da Hélade (Grécia). Sua gente vivia livre da velhice, do trabalho e da guerra"
(Thomas Bulfinch em "O Livro de Ouro da Mitologia")
Apesar de situar ao norte da grécia e não ao sul, é uma descrição que aproxima um local idealizado por eles da nossa região tropical. Um poema sobre os hiperbóreos diz:
De um país venho pelo sol banhado
De jardins reluzentes
Onde o vento do norte jaz domado
E os uivos estridentes
Outra região descrita pelos gregos é o lugar abençoado dos Campos Elíseos, para onde os mortais favorecidos pelos deuses eram levados, a fim de gozar a imortalidade. E enfim o próprio Olimpo, morada dos deuses, tinha em sua descrição características tropicais (da Odisséia):
Disse Atena, a deusa de olhos pulcros,
E ao Olimpo subiu, à régia e eterna
Sede dos deuses, onde a tempestade
Ruge jamais, e a chuva não atinge
E nem a neve. Onde o dia brilha
Num céu limpo de nuvens e ameaças.
Felicidades sempiterna gozam
Ali os seus divinos habitantes
Mais incrível é a citação do exílio dos deuses da religião céltica-gaélica irlandesa. Após serem derrotados pelos homens, fato singular na mitologia indo-européia, o povo da deusa Danu foi despossuído da Terra conhecida, e parte deles resolveu tomar exílio em um paraíso além-mar localizada em uma desconhecida (a não para poucos mortais favorecidos) ilha do oeste, paralela à bretã
...ilha-vale de Avilion;
Onde cai não o granizo, ou chuva, ou neve,
Nem nunca venta forte, mas deitam
profundos riachos, felizes, e pomares
E bosques verdes, coroados com o mar de verão
Uma terra de prazer perpétuo, e festas, descrita de várias formas como a "terra prometida" (Tig Tairngiré), a "Planície da Felicidade" (Mag Mell), a terra dos vivos (Tir-Nam-Beo), a terra dos jovens (Tir-nam-Og), e o nome mais usado por eles, a "Ilha de Breasal" (Hy-Breasail). A mitologia céltica é cheia das belezas e maravilhas deste místico país, e sua tradição nunca morreu. Hy-Breasail foi colocada repetidamente em velhos mapas como local real, e é tida por alguns pesquisadores como impulso para a escolha do nome Brasil para nosso país, já que era termo conhecido em Portugal. É costume se dizer, por antigos amantes das velhas histórias na Irlanda e Escócia, que um paciente observador após contemplando o mar nas costas mais ocidentais, pode às vezes ter a sorte de ver contra o por do sol as "ilhas de verão do Éden, deitadas nas esferas púrpuras do mar". (Charles Squire, em "A Mitologia das Ilhas Britânicas")
E sendo o Éden agora nosso assunto, podemos ver a descrição da cultura judaica deste paraíso...
"E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado.
E o SENHOR Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida;
E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio, e a pedra sardônica.
(...)Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados." (Gênesis e Ezequiel, cp. 31)
...que também nos dá a noção das riquezas minerais do Éden.
É então difícil não comparar essas descrições com as regiões tropicais da Terra, de fato em termos de clima e vegetação, a mais adequada para a moradia humana.
No entanto, ao descobrir este local, tão cantado pelos seus antepassados, o homem agiu de forma muito diferente ao imaginado. É incrível então o fato da árvore da vida e a árvore do conhecimento (do bem e do mal) serem descritas no Éden, e metaforicamente, ao atracar na costa de terras tropicais, o homem comeu o fruto proibido. Não quis ele viver para sempre, se alimentando da árvore da vida, e de todas as outras que lá existiam. O Éden depois de descoberto foi totalmente desprezado, o que dá a impressão que o amor que o homem tinha pelo local era platônico.
Não foram encontrados aqueles deuses que se imaginavam, e os hiperbóreos acabaram escravizados. Logo o Éden virou colônia, para servir aos interesses do homem europeu, e aos poucos a terra prometida foi sendo transformada em monocultura, minerada, ao mesmo tempo em que aqueles que viviam lá deixavam de poder se alimentar da terra em que viviam. Hoje o Éden é uma república das bananas, entre tantas que existem, em desenvolvimento ou subdesenvolvido, onde os homens lutam para sobrevivem em meio ao caos de doenças, pobreza, guerras, corrupção e devastação ambiental.
O conceito de Éden foi então escolhido por mim como metáfora pelos valores naturais desta região tropical. A questão econômica é muito mais complexa do que parece, e a atuação do homem tem de fato engrandecido o "Éden real" em vários aspectos (como por exemplo trazer conhecimento científico para a região).
Irei usar o nordeste brasileiro, como sendo região que mais conheço e que vivo, como foco dos artigos, mas incluirei textos de muitas outras regiões.
E viva a terra das palmeiras!
Por uma falta de uma coerência entre o atendimento de suas necessidades e suas ações, a humanidade da qual faço parte me levou a escrever este blog, com o objetivo de deixar registrada a minha opinião sobre os recentes acontecimentos na atuação do homem no nosso meio tropical. Por vários motivos esta região já foi descrita pela própria intuição humana, em uma época quando o ser histórico ocidental não tinha meios para alcançar esta área do globo. Isso porque eu não acredito que nem os Maias nem os Egípcios eram E.T.s, sinto muito desapontá-los!
É fácil observar porque um homem da região temperada tem tanta admiração pela terra da primavera eterna. As estações secas, geladas ou quentes demais podem facilmente levar a morte. De certa forma, é o frio que mais representa perigos para nossa sobrevivência, seguido pela seca. É uma situação inóspita para a vida em geral, e especialmente para plantas, das quais tanto dependemos.
Ao chegar a primavera e o sol, a cultura de um local com clima sazonal fica em êxtase pela abundância de vida, e é o momento de celebrações. Ao chegar o inverno e a escuridão, o medo e a tristeza vem à tona, assim como a morte, de verdade em não raras vezes. Por isso, a idéia da morada dos deuses, aqueles que podem controlar este clima, é sempre concebida com exuberância e abundância de alimentos, o paraíso, onde o sol nunca se punha, e todos eram felizes. O ser humano que habitava estes locais sempre desejava conhecer este local, nem que apenas no momento de sua morte, após uma vida correta e justa.
Os gregos tinham uma noção bem precisa de como seria este local. Da visão do mundo que eles tinham à época de Péricles (495 - 429 a.C.):
"A parte setentrional da Terra era supostamente habitada por uma raça feliz, chamada de hiperbóreos, que desfrutava de uma primavera eterna e uma felicidade perene, por trás das gigantescas montanhas, cujas cavernas lançavam as cortantes lufadas do vento norte, que faziam tremer de frio os habitantes da Hélade (Grécia). Sua gente vivia livre da velhice, do trabalho e da guerra"
(Thomas Bulfinch em "O Livro de Ouro da Mitologia")
Apesar de situar ao norte da grécia e não ao sul, é uma descrição que aproxima um local idealizado por eles da nossa região tropical. Um poema sobre os hiperbóreos diz:
De um país venho pelo sol banhado
De jardins reluzentes
Onde o vento do norte jaz domado
E os uivos estridentes
Outra região descrita pelos gregos é o lugar abençoado dos Campos Elíseos, para onde os mortais favorecidos pelos deuses eram levados, a fim de gozar a imortalidade. E enfim o próprio Olimpo, morada dos deuses, tinha em sua descrição características tropicais (da Odisséia):
Disse Atena, a deusa de olhos pulcros,
E ao Olimpo subiu, à régia e eterna
Sede dos deuses, onde a tempestade
Ruge jamais, e a chuva não atinge
E nem a neve. Onde o dia brilha
Num céu limpo de nuvens e ameaças.
Felicidades sempiterna gozam
Ali os seus divinos habitantes
Mais incrível é a citação do exílio dos deuses da religião céltica-gaélica irlandesa. Após serem derrotados pelos homens, fato singular na mitologia indo-européia, o povo da deusa Danu foi despossuído da Terra conhecida, e parte deles resolveu tomar exílio em um paraíso além-mar localizada em uma desconhecida (a não para poucos mortais favorecidos) ilha do oeste, paralela à bretã
...ilha-vale de Avilion;
Onde cai não o granizo, ou chuva, ou neve,
Nem nunca venta forte, mas deitam
profundos riachos, felizes, e pomares
E bosques verdes, coroados com o mar de verão
Uma terra de prazer perpétuo, e festas, descrita de várias formas como a "terra prometida" (Tig Tairngiré), a "Planície da Felicidade" (Mag Mell), a terra dos vivos (Tir-Nam-Beo), a terra dos jovens (Tir-nam-Og), e o nome mais usado por eles, a "Ilha de Breasal" (Hy-Breasail). A mitologia céltica é cheia das belezas e maravilhas deste místico país, e sua tradição nunca morreu. Hy-Breasail foi colocada repetidamente em velhos mapas como local real, e é tida por alguns pesquisadores como impulso para a escolha do nome Brasil para nosso país, já que era termo conhecido em Portugal. É costume se dizer, por antigos amantes das velhas histórias na Irlanda e Escócia, que um paciente observador após contemplando o mar nas costas mais ocidentais, pode às vezes ter a sorte de ver contra o por do sol as "ilhas de verão do Éden, deitadas nas esferas púrpuras do mar". (Charles Squire, em "A Mitologia das Ilhas Britânicas")
E sendo o Éden agora nosso assunto, podemos ver a descrição da cultura judaica deste paraíso...
"E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado.
E o SENHOR Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida;
E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio, e a pedra sardônica.
(...)Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados." (Gênesis e Ezequiel, cp. 31)
...que também nos dá a noção das riquezas minerais do Éden.
É então difícil não comparar essas descrições com as regiões tropicais da Terra, de fato em termos de clima e vegetação, a mais adequada para a moradia humana.
No entanto, ao descobrir este local, tão cantado pelos seus antepassados, o homem agiu de forma muito diferente ao imaginado. É incrível então o fato da árvore da vida e a árvore do conhecimento (do bem e do mal) serem descritas no Éden, e metaforicamente, ao atracar na costa de terras tropicais, o homem comeu o fruto proibido. Não quis ele viver para sempre, se alimentando da árvore da vida, e de todas as outras que lá existiam. O Éden depois de descoberto foi totalmente desprezado, o que dá a impressão que o amor que o homem tinha pelo local era platônico.
Não foram encontrados aqueles deuses que se imaginavam, e os hiperbóreos acabaram escravizados. Logo o Éden virou colônia, para servir aos interesses do homem europeu, e aos poucos a terra prometida foi sendo transformada em monocultura, minerada, ao mesmo tempo em que aqueles que viviam lá deixavam de poder se alimentar da terra em que viviam. Hoje o Éden é uma república das bananas, entre tantas que existem, em desenvolvimento ou subdesenvolvido, onde os homens lutam para sobrevivem em meio ao caos de doenças, pobreza, guerras, corrupção e devastação ambiental.
O conceito de Éden foi então escolhido por mim como metáfora pelos valores naturais desta região tropical. A questão econômica é muito mais complexa do que parece, e a atuação do homem tem de fato engrandecido o "Éden real" em vários aspectos (como por exemplo trazer conhecimento científico para a região).
Irei usar o nordeste brasileiro, como sendo região que mais conheço e que vivo, como foco dos artigos, mas incluirei textos de muitas outras regiões.
E viva a terra das palmeiras!
Assinar:
Comentários (Atom)
