Caros leitores,
Por uma falta de uma coerência entre o atendimento de suas necessidades e suas ações, a humanidade da qual faço parte me levou a escrever este blog, com o objetivo de deixar registrada a minha opinião sobre os recentes acontecimentos na atuação do homem no nosso meio tropical. Por vários motivos esta região já foi descrita pela própria intuição humana, em uma época quando o ser histórico ocidental não tinha meios para alcançar esta área do globo. Isso porque eu não acredito que nem os Maias nem os Egípcios eram E.T.s, sinto muito desapontá-los!
É fácil observar porque um homem da região temperada tem tanta admiração pela terra da primavera eterna. As estações secas, geladas ou quentes demais podem facilmente levar a morte. De certa forma, é o frio que mais representa perigos para nossa sobrevivência, seguido pela seca. É uma situação inóspita para a vida em geral, e especialmente para plantas, das quais tanto dependemos.
Ao chegar a primavera e o sol, a cultura de um local com clima sazonal fica em êxtase pela abundância de vida, e é o momento de celebrações. Ao chegar o inverno e a escuridão, o medo e a tristeza vem à tona, assim como a morte, de verdade em não raras vezes. Por isso, a idéia da morada dos deuses, aqueles que podem controlar este clima, é sempre concebida com exuberância e abundância de alimentos, o paraíso, onde o sol nunca se punha, e todos eram felizes. O ser humano que habitava estes locais sempre desejava conhecer este local, nem que apenas no momento de sua morte, após uma vida correta e justa.
Os gregos tinham uma noção bem precisa de como seria este local. Da visão do mundo que eles tinham à época de Péricles (495 - 429 a.C.):
"A parte setentrional da Terra era supostamente habitada por uma raça feliz, chamada de hiperbóreos, que desfrutava de uma primavera eterna e uma felicidade perene, por trás das gigantescas montanhas, cujas cavernas lançavam as cortantes lufadas do vento norte, que faziam tremer de frio os habitantes da Hélade (Grécia). Sua gente vivia livre da velhice, do trabalho e da guerra"
(Thomas Bulfinch em "O Livro de Ouro da Mitologia")
Apesar de situar ao norte da grécia e não ao sul, é uma descrição que aproxima um local idealizado por eles da nossa região tropical. Um poema sobre os hiperbóreos diz:
De um país venho pelo sol banhado
De jardins reluzentes
Onde o vento do norte jaz domado
E os uivos estridentes
Outra região descrita pelos gregos é o lugar abençoado dos Campos Elíseos, para onde os mortais favorecidos pelos deuses eram levados, a fim de gozar a imortalidade. E enfim o próprio Olimpo, morada dos deuses, tinha em sua descrição características tropicais (da Odisséia):
Disse Atena, a deusa de olhos pulcros,
E ao Olimpo subiu, à régia e eterna
Sede dos deuses, onde a tempestade
Ruge jamais, e a chuva não atinge
E nem a neve. Onde o dia brilha
Num céu limpo de nuvens e ameaças.
Felicidades sempiterna gozam
Ali os seus divinos habitantes
Mais incrível é a citação do exílio dos deuses da religião céltica-gaélica irlandesa. Após serem derrotados pelos homens, fato singular na mitologia indo-européia, o povo da deusa Danu foi despossuído da Terra conhecida, e parte deles resolveu tomar exílio em um paraíso além-mar localizada em uma desconhecida (a não para poucos mortais favorecidos) ilha do oeste, paralela à bretã
...ilha-vale de Avilion;
Onde cai não o granizo, ou chuva, ou neve,
Nem nunca venta forte, mas deitam
profundos riachos, felizes, e pomares
E bosques verdes, coroados com o mar de verão
Uma terra de prazer perpétuo, e festas, descrita de várias formas como a "terra prometida" (Tig Tairngiré), a "Planície da Felicidade" (Mag Mell), a terra dos vivos (Tir-Nam-Beo), a terra dos jovens (Tir-nam-Og), e o nome mais usado por eles, a "Ilha de Breasal" (Hy-Breasail). A mitologia céltica é cheia das belezas e maravilhas deste místico país, e sua tradição nunca morreu. Hy-Breasail foi colocada repetidamente em velhos mapas como local real, e é tida por alguns pesquisadores como impulso para a escolha do nome Brasil para nosso país, já que era termo conhecido em Portugal. É costume se dizer, por antigos amantes das velhas histórias na Irlanda e Escócia, que um paciente observador após contemplando o mar nas costas mais ocidentais, pode às vezes ter a sorte de ver contra o por do sol as "ilhas de verão do Éden, deitadas nas esferas púrpuras do mar". (Charles Squire, em "A Mitologia das Ilhas Britânicas")
E sendo o Éden agora nosso assunto, podemos ver a descrição da cultura judaica deste paraíso...
"E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado.
E o SENHOR Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida;
E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio, e a pedra sardônica.
(...)Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados." (Gênesis e Ezequiel, cp. 31)
...que também nos dá a noção das riquezas minerais do Éden.
É então difícil não comparar essas descrições com as regiões tropicais da Terra, de fato em termos de clima e vegetação, a mais adequada para a moradia humana.
No entanto, ao descobrir este local, tão cantado pelos seus antepassados, o homem agiu de forma muito diferente ao imaginado. É incrível então o fato da árvore da vida e a árvore do conhecimento (do bem e do mal) serem descritas no Éden, e metaforicamente, ao atracar na costa de terras tropicais, o homem comeu o fruto proibido. Não quis ele viver para sempre, se alimentando da árvore da vida, e de todas as outras que lá existiam. O Éden depois de descoberto foi totalmente desprezado, o que dá a impressão que o amor que o homem tinha pelo local era platônico.
Não foram encontrados aqueles deuses que se imaginavam, e os hiperbóreos acabaram escravizados. Logo o Éden virou colônia, para servir aos interesses do homem europeu, e aos poucos a terra prometida foi sendo transformada em monocultura, minerada, ao mesmo tempo em que aqueles que viviam lá deixavam de poder se alimentar da terra em que viviam. Hoje o Éden é uma república das bananas, entre tantas que existem, em desenvolvimento ou subdesenvolvido, onde os homens lutam para sobrevivem em meio ao caos de doenças, pobreza, guerras, corrupção e devastação ambiental.
O conceito de Éden foi então escolhido por mim como metáfora pelos valores naturais desta região tropical. A questão econômica é muito mais complexa do que parece, e a atuação do homem tem de fato engrandecido o "Éden real" em vários aspectos (como por exemplo trazer conhecimento científico para a região).
Irei usar o nordeste brasileiro, como sendo região que mais conheço e que vivo, como foco dos artigos, mas incluirei textos de muitas outras regiões.
E viva a terra das palmeiras!
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
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